
A vida é como uma grande roda gigante, tudo que vai… Volta. Sinceramente eu queria esquecer o passado, queria que minhas duvidas e meus medos tivessem se concretizados nesse tempo que passou, queria que os fantasmas do passado não me assombrassem mais, queria que todo meu sofrimento não volta-se, mas parece que quanto mais tento fugir, mais o passado me volta e me assombra. Consigo lembrar-me de minha vida há uns três anos atrás, quando minha vida mudou, quando abandonei e tive que esquecer meus amigos, não só amigos qual queres, mas sim os verdadeiros, aqueles que haviam se criado ao meu lado, como me doeu… Mas isso sinceramente não foi o pior, o pior não foi perdê-los e ter que ir embora para longe, o pior foi quando percebi que não os veria mais (…). Escola nova, nova residência, tudo mudando aos poucos, tudo me machucando os poucos, grande carência, maior a solidão. As brigas começam meus pais sem paciência comigo, minhas irmãs indo embora aos poucos… Tudo desmoronando aos poucos. Primeiro dia de aula, novas pessoas, nova vida… Novas dores. Consigo me lembrar como se fosse ontem, consigo me lembrar das garotas me rejeitando, dos garotos não me deixando participar de nada, e quando deixavam, aprontando algo contra mim… Lembro-me dos xingamentos, dos apelidos, me lembro de como me doía, de como era ruim não ter amigos, e ter grande parte falando mal de mim… O passado ainda me machuca, e como machuca algumas dores eu jamais poderei esquecer, o tempo poderá passar, mas elas serão levadas comigo… Grandes dores, maiores cortes, tenebrosas feridas, graças a tudo isso que me tornei o que sou hoje… Não acredito que eu tenha mudado para um ser melhor ou pior, nem paro para pensar muito sobre isso, afinal, se eu for refletir, nem eu mesma irei conseguir lidar comigo, nem eu mesma conseguirei me aceitar como sou. É a vida me ensinou “coisas” que eu jamais poderei esquecer lições que me machucaram até serem aprendidas, mas que graças a elas sou um ser mais forte, mais maduro. E felizmente um ser que não abaixa a cabeça para absolutamente ninguém que a cerca. (…) Se sou feliz hoje? Ainda não, mas tudo tem sua hora e se ontem eu chorava hoje ás lágrimas estão secas, aumentando minhas chances de sorrir amanhã. (s.i)
— Arthur Macedo (via c-a-n-a-r-i-o)